Gastrite Nervosa: Como Quebrar o Ciclo da Ansiedade e da Dor
A “gastrite nervosa”, clinicamente conhecida como Dispepsia Funcional, é uma das queixas mais comuns nos consultórios de gastroenterologia. Diferente da gastrite clássica, onde a endoscopia revela uma inflamação visível e erosiva na parede do estômago, na gastrite nervosa o exame pode estar normal ou apresentar alterações mínimas que não justificam a intensidade da dor. Trata-se de uma hipersensibilidade visceral causada pela conexão direta entre o cérebro e o sistema digestivo. O estômago funciona como uma “caixa de ressonância” das emoções: o estresse libera hormônios (como cortisol e adrenalina) que alteram a motilidade gástrica e a secreção de ácido, criando um ciclo vicioso onde a ansiedade gera dor, e a dor gera mais ansiedade.
O Eixo Cérebro-Intestino: Sintomas e Sinais de Alerta
O sistema digestivo possui tantos neurônios que é frequentemente chamado de “segundo cérebro”. Quando o emocional está abalado, o estômago reage. Os sintomas podem ser confundidos com úlceras ou refluxo, mas possuem características ligadas ao estado mental do paciente:
- Dor na “Boca do Estômago” (Epigastralgia): Uma dor em queimação ou pontada que tende a piorar em momentos de tensão, cobrança no trabalho ou conflitos familiares.
- Sensação de Plenitude Precoce: O paciente sente-se “cheio” ou estufado logo após comer uma pequena quantidade de alimento, como se a digestão estivesse parada.
- Náuseas e Eructações (Arrotos): Ocorre frequentemente sem vômitos, sendo uma resposta do corpo ao aumento da deglutição de ar (aerofagia) causada pela respiração ansiosa.
- Variação dos Sintomas: Diferente de uma lesão orgânica que dói constantemente ao contato com ácido, a gastrite nervosa pode ter dias de calmaria (fins de semana ou férias) e dias de crise aguda (dias úteis estressantes).
É fundamental entender que, embora a causa tenha raiz emocional, a dor é real e física, não é “coisa da cabeça” do paciente e merece tratamento sério.
O Diagnóstico: Por que a Endoscopia pode dar “Normal”?
O diagnóstico da dispepsia funcional é feito, muitas vezes, por exclusão. O médico investiga o histórico do paciente e solicita a Endoscopia Digestiva Alta. O objetivo principal é descartar a presença da bactéria Helicobacter pylori, úlceras pépticas ou gastrites erosivas severas. Quando os exames de imagem não mostram lesões graves, mas o paciente relata desconforto significativo associado a gatilhos emocionais, confirma-se o quadro funcional. Isso não significa que não há problema, mas sim que o problema está no funcionamento (sensibilidade e movimento) e não na anatomia do órgão.
Abordagem Terapêutica: Tratando Mente e Corpo
Para quebrar o ciclo da gastrite nervosa, o uso isolado de antiácidos raramente resolve o problema a longo prazo. É necessária uma abordagem multidisciplinar:
- Reeducação Alimentar: Evitar estimulantes que aumentam a ansiedade e a acidez, como café em excesso, bebidas alcoólicas, chocolate e alimentos muito condimentados. Comer devagar e em ambiente tranquilo é essencial.
- Controle do Estresse: Esta é a pedra angular do tratamento. A prática de atividades físicas libera endorfinas que combatem a dor. Terapias como a Tognitiva-Comportamental (TCC) e práticas de mindfulness ajudam a gerenciar os gatilhos emocionais.
- Medicação Específica: Além dos inibidores de ácido (omeprazol e similares) para alívio imediato, o médico pode prescrever procinéticos (para melhorar o esvaziamento gástrico) e, em alguns casos, neuromoduladores em baixas doses para diminuir a hipersensibilidade dos nervos do estômago.
- Sono Reparador: A privação de sono aumenta a percepção da dor e a produção de suco gástrico. Regularizar o sono é parte do tratamento médico.
A gastrite nervosa é um sinal do corpo pedindo uma pausa. Ignorar esse sinal pode cronificar a dor e afetar drasticamente a qualidade de vida. O equilíbrio emocional é o melhor antiácido natural.
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