H. Pylori: O grande vilão por trás da sua gastrite

A H. Pylori é uma bactéria resistente que coloniza o estômago, sendo a principal causa de gastrite crônica, úlceras e câncer gástrico. Muitas vezes silenciosa ou confundida com simples má digestão, sua infecção exige diagnóstico preciso (geralmente via endoscopia) e tratamento rigoroso com antibióticos para evitar complicações graves e garantir a saúde da mucosa estomacal.
Dr. Octávio Rodrigues

Dr. Octávio Rodrigues

Cirurgião Gastrointestinal

H. Pylori: O grande vilão por trás da sua gastrite | Dr. Octávio Rodrigues | Gastroenterologista
     

H. Pylori: O grande vilão por trás da sua gastrite

     

Muitas vezes, atribuímos a queimação no estômago apenas ao estresse, ao café ou àquela comida apimentada. Porém, em grande parte dos casos de inflamação estomacal crônica, existe um agente infeccioso agindo silenciosamente: a Helicobacter pylori (H. pylori). Trata-se de uma bactéria extremamente resistente, capaz de sobreviver em um dos ambientes mais hostis do corpo humano: o ácido do estômago. Diferente de uma má digestão passageira, a infecção por H. pylori enfraquece a barreira mucosa que protege a parede estomacal, permitindo que o ácido lesione o tecido. Negligenciar essa infecção não apenas perpetua a gastrite, mas aumenta significativamente o risco de desenvolver úlceras pépticas e é o principal fator de risco para o câncer gástrico.

   

Sinais de Alerta: Mais do que uma simples azia

   

A H. pylori é “traiçoeira” porque pode permanecer assintomática por anos. No entanto, quando a inflamação se agrava, o corpo emite sinais que diferem de uma simples indisposição alimentar. Os sintomas mais característicos incluem:

       
  • Dor em Queimação ou “Vazio”: Geralmente localizada na “boca do estômago” (epigástrio). Essa dor pode piorar quando o estômago está vazio (como no meio da noite ou antes das refeições) e aliviar momentaneamente após comer.
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  • Saciedade Precoce: A sensação de estar “cheio” ou estufado logo após ingerir uma pequena quantidade de comida.
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  • Dispepsia Funcional: Presença constante de eructações (arrotos), inchaço abdominal e distensão, que não melhoram com mudanças simples na dieta.
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  • Náuseas Matinais: Enjoos frequentes, que podem ou não levar a vômitos, muitas vezes sem causa aparente.
   

Sinais de alarme como perda de peso inexplicável, vômitos com sangue ou fezes escuras (melena) indicam complicações graves (como úlceras sangrantes) e exigem atendimento imediato.

   

O Diagnóstico: Confirmando a Presença do Invasor

O diagnóstico da infecção por H. pylori exige precisão, pois os sintomas se confundem com refluxo ou gastrite nervosa. O “padrão-ouro” para a detecção é a Endoscopia Digestiva Alta com biópsia e teste da urease. Durante o exame, o médico visualiza a mucosa, verifica a existência de gastrite ou úlceras e coleta um pequeno fragmento para análise. Existem também métodos não invasivos, como o teste respiratório da ureia (o paciente sopra em um tubo após ingerir um líquido reagente) e a pesquisa de antígenos fecais. A escolha do método depende da idade do paciente e dos sinais de alarme presentes.

   

Conduta e Tratamento: A Erradicação é Necessária

Uma vez confirmada a presença da bactéria, o tratamento é obrigatório para evitar a progressão para doenças mais graves. A abordagem envolve:

       
  1. Terapia Combinada: O H. pylori é uma bactéria resistente. Por isso, o tratamento padrão envolve um “combo” de medicamentos: geralmente dois tipos de antibióticos associados a um potente Inibidor de Bomba de Prótons (como omeprazol ou esomeprazol) para reduzir a acidez e permitir a cicatrização.
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  3. Adesão Rigorosa (14 dias): O erro mais comum é parar a medicação assim que a dor melhora. O tratamento dura geralmente 14 dias e deve ser seguido à risca. Interromper os antibióticos antes da hora pode criar resistência bacteriana, tornando a cura muito mais difícil.
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  5. Dieta de Recuperação: Durante o tratamento, deve-se evitar irritantes gástricos como álcool, café excessivo, pimentas, embutidos e cigarro, para auxiliar na regeneração da mucosa.
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  7. Controle de Cura: Após o término do tratamento (geralmente 4 a 8 semanas depois), é fundamental realizar um novo teste para confirmar a erradicação total da bactéria.
   

Tratar o H. pylori é uma medida preventiva direta contra o câncer de estômago. Se você sofre com dores estomacais recorrentes que não passam, não se acostume com a dor: investigue a causa.

   

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