Dieta para Diverticulite: O que Comer na Crise e na Manutenção
A diverticulite é uma condição gastrointestinal comum, caracterizada pela inflamação ou infecção dos divertículos — pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso (cólon). Enquanto a presença dessas bolsas (diverticulose) é assintomática para muitos, a inflamação (diverticulite) causa dores abdominais intensas, febre e alterações no hábito intestinal. O manejo dessa condição é um clássico exemplo de como a alimentação funciona como remédio. No entanto, a estratégia nutricional é paradoxal: o que faz bem na prevenção pode ser prejudicial durante a crise. Compreender as fases da doença e ajustar a dieta é fundamental para acelerar a recuperação e evitar novas inflamações.
Fase 1: A Crise Aguda (Repouso Intestinal)
Durante um episódio agudo de diverticulite, o intestino está inflamado e sensível. O objetivo principal é o repouso intestinal, reduzindo o volume e a frequência das fezes para permitir a cicatrização. Neste momento, a regra de ouro é evitar fibras a todo custo.
- Dieta Líquida (Início): Nos primeiros dias ou em casos mais severos, pode ser necessária uma dieta restrita a líquidos claros (caldos coados, chás claros, gelatina, água de coco) para hidratação sem resíduos.
- Dieta Pastosa/Leve (Evolução): Conforme a dor diminui, introduzem-se alimentos de fácil digestão e baixo teor de fibras (Low Residue). Exemplos incluem arroz branco, macarrão de farinha refinada, pão branco, purê de batata (sem casca), ovos cozidos, peixes e frango grelhado/desfiado.
- O que evitar na crise: Cereais integrais, cascas de frutas, sementes, vegetais crus, folhas, milho e alimentos que produzem muitos gases (como feijão e brócolis) são proibidos nesta fase.
Fase 2: A Manutenção e Prevenção (Reintrodução de Fibras)
Após a resolução completa da inflamação e liberação médica, a estratégia inverte-se completamente. Para evitar que novos divertículos inflamem, é necessário garantir que o intestino funcione regularmente e sem esforço excessivo. Aqui, as fibras tornam-se as protagonistas. A introdução deve ser gradual para evitar desconforto abdominal. Uma dieta rica em fibras (25g a 35g por dia), composta por frutas com casca, verduras, legumes, aveia e grãos integrais, ajuda a formar um bolo fecal macio e volumoso, reduzindo a pressão dentro do cólon.
Pontos Cruciais do Tratamento Nutricional
O sucesso no controle da doença diverticular depende de um tripé de cuidados contínuos:
- Hidratação Vigorosa: Aumentar a ingestão de fibras sem aumentar a ingestão de água é um erro grave. As fibras precisam de líquidos para “inchar” e facilitar o trânsito intestinal. Sem água suficiente (mínimo de 2 a 3 litros por dia), as fibras podem causar constipação severa e piorar o quadro.
- O Mito das Sementes: Antigamente, proibia-se o consumo de tomate, kiwi, morango ou gergelim por medo de que as sementes entrassem nos divertículos. Estudos atuais indicam que isso não aumenta o risco de diverticulite para a maioria dos pacientes. O consumo pode ser liberado na fase de manutenção, respeitando a tolerância individual.
- Mastigação Eficiente: Triturar bem os alimentos na boca facilita o trabalho digestivo, reduz a produção de gases e melhora a absorção de nutrientes, sendo vital tanto na crise quanto na manutenção.
- Acompanhamento Médico: A transição da dieta líquida para a rica em fibras deve ser guiada pela melhora clínica. A automedicação ou a insistência em comer fibras durante a dor podem levar a complicações como abscessos ou perfuração.
A diverticulite exige paciência e adaptação. Saber alternar entre a dieta de repouso na crise e a dieta rica em fibras na manutenção é a chave para viver sem dor e com qualidade de vida.
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